Esquerda ou direita: por que precisamos escolher um lado?

Esquerda ou direita: por que precisamos escolher um lado?

É muito comum, atualmente, das postagens e comentários na internet aos debates na rua, no trabalho e nas salas de aula, entre conhecidos, amigos ou colegas de trabalho, discussões sobre o posicionamento político de cada um de nós, e os impactos que eles têm em nossa vida, individual e coletiva, trazendo o conceito de sociedade.

Você certamente já ouviu os termos esquerda direita, ou talvez teve de responder para alguém sobre sua preferência política, com também esses termos como opção de resposta. Pensando nisso, coloquei como pauta nas minhas entrevistas esse tema, e fui em busca de alguém com conhecimento para nos mostrar uma visão completa sobre o assunto.

Foi extremamente difícil escolher alguém para essa entrevista. Existem muitos amigos em minha rede capazes de responder às perguntas da melhor forma possível, porém, eu queria alguém que não tivesse um lado político assumido na rede, e trouxesse uma visão educadora, sem que o nosso conteúdo se tornasse um outdoor para um lado ou ideologia.

Então, lembrei do Lucas. Grande amigo e conselheiro, é formado em Direito, possui amplo conhecimento político-histórico, e em razão do seu trabalho à frente da sua igreja, tem vasta experiência social. Particularmente, alguém que admiro muito pelo seu amor ao próximo, independentemente de qualquer coisa. Acredito que eu tenha feito uma ótima escolha.

Vamos às perguntas?

Antes de tudo, quem é Lucas Dittrich?

Um cara bem excêntrico! Queria cursar medicina quando criança/adolescente, entrou para o mundo da tecnologia da informação e cursou, por indicação de amigos, bacharelado em direito, além de servir o Exército Brasileiro como Aspirante-a-Oficial da arma de Infantaria.

Como é possível perceber, ando em áreas bem distintas, o que reflete minha linha ideológica. Sou líder de jovens na igreja que frequento e, antes que possam pensar que sou um conservador de extrema direita, fiz meu TCC na área da criminologia crítica, o que me fez meditar muito sobre os reflexos da política/religião no contexto social que vivenciamos e os impactos dos estigmas nos indivíduos.

Meu currículo não é extenso, não possuo publicações na internet sobre a temática, pois penso que o brilho existente na conversão de pensamento se encontra no bom e velho diálogo cara a cara, e não nos comentários [extremistas] de internet.

#1 Um dos assuntos que mais tem dividido as pessoas, principalmente na internet, é a esquerda e a direita política. Onde surgiram, basicamente, essas expressões?

Segundo a história, as expressões surgiram na Revolução Francesa e são baseados na composição dos lugares ocupados pelos partidos (“esquerda” e “direita”) na Assembleia Nacional Francesa.

Os que estavam à esquerda do presidente parlamentar opunham-se à monarquia e aprovavam a Revolução. Dando sentido à expressão, eles eram favoráveis a mudança do regime político, o que daria poder ao povo, justificando seu relacionamento com a luta dos trabalhadores.

Por outro lado, os que estavam à direita apoiavam o antigo regime absolutista. A tradição, a religião e a privatização da economia são considerados os valores fundamentais da direita.

#2 Além da esquerda e direita política, nós temos os movimentos de centro, também chamados de liberais. Como são formados esses modelos e o que eles buscam?

Permita-me dizer que a contextualização da sua pergunta está errada. Tanto direita quanto esquerda possuem as linhas de centro. Assim, não podemos associar, inicialmente, partidos de centro com liberalismo. Com relação a esse, temos que fazer algumas distinções, dentre elas, o liberalismo em si e o liberalismo econômico.

O que muita gente não sabe é que o liberalismo é uma característica de esquerda, visto que tende a se opor ao conservadorismo, abraçando as minorias (LGBT, negros, mulheres, deficientes e afins). Por outro lado, o liberalismo econômico, característica da direita, defende a iniciativa privada e a mínima intervenção estatal na economia.

Dito isso, a resposta para sua pergunta acaba sendo simples, já que os partidos de centro são nada mais que uma mescla de direita e esquerda, buscando ora uma menor intervenção do Estado nas relações sociais, ora uma maior intervenção.

#3 Quais as principais diferenças, pontos positivos e negativos entre os modelos?

No geral, podemos dizer que partidos de esquerda buscam justiça social, utilizando meios mais extremo para consegui-la, como greves, protestos e afins. Assim, esse é o principal motivo pelo qual associamos partidos de esquerda ao socialismo e as minorias.

No caso da direita, sua característica principal é o conservadorismo, que tende a ser mais rígido com relação às mudanças socioeconômicas. Com relação a pontos positivos e negativos, podemos citar:

Esquerda

Pontos Positivos:

Igualdade na prestação dos serviços públicos, defesa das parcelas menos favorecidas e demais medidas que tendem a respeitar as garantias e liberdades sociais.

Pontos Negativos:

Quando falamos de esquerda, entendemos que ela defende uma ação mais expressiva do Estado nas relações sociais, o que leva a sociedade a uma dependência muito grande desse agente para gerir as diversas interações entre os indivíduos. Logo, o convívio social torna-se engessado, rígido, de modo que os conflitos tendem a ser maiores.

Direita

Pontos Positivos:

Em um contexto geral, o menor domínio do Estado, que torna as relações (econômicas, sociais) mais fluidas;

Pontos Negativos:

Mentalidade individualista, egocentrismo, a falta de senso coletivo, incentivo ao consumo desenfreado e por aí vai.

#4 Muitas pessoas dizem que não escolhem lado. Porém, suas ações determinam uma tendência para com a esquerda, ou para com a direita. Isso é fato, ou é possível viver sem determinar um apoio político?

Como somos seres sociais, acredito que é impossível viver sem política. Nossa organização social é construída por relacionamentos e estes, por sua vez, são geridos por política. Aristóteles diz que “[…] o homem é naturalmente um animal político […]” (A Política. (Tradução de Nestor Silveira). 1 ed.. São Paulo: Folha de S.Paulo, 2010. Página 13.), o que nos leva a concluir que política vai além de partidos, Congresso, Senado e afins. Assim, posso dizer que podemos não levantar bandeiras de partidos ou candidatos, mas isso não significa que deixamos de fazer política.

#5 Nós podemos perceber alguns conflitos entre apoiadores de direita, centro e esquerda, novamente, principalmente na internet. Não há pontos de concordância, ou melhor, semelhança, entre os lados?

O que percebo, com relação ao tema, são pessoas que discutem sem possuir base argumentativa alguma, são soldados que desconhecem pelo que e para quem lutam. Do meu ponto de vista, não há concordância/semelhança entre as ideologias, pois, de maneira geral, temos a esquerda buscando “liberdade, igualdade e fraternidade”, com uma ação mais rígida do Estado e, do outro lado, temos a direita, que defende a individualidade nas relações e a mínima participação estatal possível. Assim, percebemos que as causa são bem distintas, de modo que os grupos de centro podem ser uma saída para agradar os dois lados.

#6 O que um lado determina que é bom, para o outro é ruim, e assim vice versa. Seria, apenas uma questão de opinião, ou, podemos determinar que um é bom e outro é ruim?

Acredito que os dois são bons, mas ninguém quer dar o braço a torcer. Pensar na igualdade de oportunidades é bom, mas valorizar as habilidades individuais também o é. Assim como no corpo humano, o equilíbrio é a melhor resposta.

#7 Nós temos inúmeros governos espalhados pelo mundo, obviamente, alguns ditados como de direita, e outros como de esquerda. Cada qual, com seus pontos positivos e negativos. É possível que tanto um governo de direita como um de esquerda traga bons resultados para a sociedade?

Claro! Infelizmente não conseguimos ver um governo de esquerda que tenha dado certo, mas posso dizer que os de direita também não. Riqueza e poderio econômico não erradicam a pobreza ou as perseguições raciais, da mesma forma que uma sociedade completamente dependente do Estado não implica em uma população alienada e extremista. Como falei anteriormente, equilibrar os pesos na balança é o que trará bons resultados para a população.

#8 Eu participo de redes sociais, canais e fóruns há muitos anos, e não tínhamos esse tipo de debate, ou talvez, tão fortalecido. Você concorda comigo? Se sim, o que pode ter motivado o fortalecimento da discussão desses assuntos na rede?

Concordo. Acredito que a grande mídia teve um papel fundamental, divulgando, principalmente, os escândalos de corrupção. Outro fator importante é a relevância das redes sociais, que se mostraram uma excelente ferramenta para “organização” da grande massa, a exemplo dos panelaços de 2013 e o próprio impeachment da presidente Dilma, em 2016.

No entanto, penso que o elemento preponderante é a educação, que tem tornado a população brasileira menos alienável e, inevitavelmente, é o melhor remédio contra abusos de poder.

#9 Estamos em ano de eleições no Brasil, e todos os brasileiros estão conhecendo os possíveis candidatos aos governos estaduais e à presidência do país. Além do lado político, o que você sugere que nós, eleitores, devemos avaliar na hora de escolher um candidato?

Isso é de conhecimento geral, mas pouco fazemos a respeito. Sabemos que precisamos analisar as propostas, avaliar se o candidato possui processos relacionados a corrupção e por aí vai, mas as coisas não mudam porque permanecem na teoria.

Gosto muito de um versículo bíblico escrito pelo apóstolo João: “Meus filhinhos, não amemos de palavra, nem de língua, mas por obra e em verdade (1 João 3:18)”. Parece, num primeiro olhar, que não tem muita relação com política, mas quando pensamos que a frase nos provoca a agir em prol de uma causa, percebemos a semelhança.

Precisamos parar de apenas falar, mas agir, sermos incisivos com as práticas corruptas, inclusive em nosso dia a dia. Muito se fala sobre a responsabilidade dos políticos, mas eles apenas refletem o povo que governam.

#10 Quais dicas você dá para aqueles que, independentemente de lado político, desejam debater política na rede em busca de um mundo melhor?

Ouvi uma frase que me fez refletir muito: “Um povo que não conhece sua história está condenado a repeti-la” (Edmund Burke). O primeiro conselho é conhecer a história política do Brasil de todos os ângulos possíveis.

Pra entender onde estamos, basta olhar por onde passamos e o que vivemos. Outrossim, acredito que a leitura de obras importantes sobre o tema, tais como O Príncipe, de Maquiavel, Uma Teoria de Justiça, de John Rawls, dentre outras, trarão uma nova visão sobre o contexto político que vivemos.

Por fim, antes de emitir qualquer opinião, buscar a veracidade das informações a qual pretende opinar, estudar sobre o tema, inteirar-se sobre os principais pontos positivos e negativos para, posteriormente, formular um comentário que agregue valor.

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Para finalizar, caso você tenha interesse, seguem os links para compra dos livros citados na entrevista:

Obrigado pela leitura, e até a próxima!

Guilherme Bogo Vinci

Mercadólogo e publicitário dedicado. Professor e palestrante apaixonado. Escritor motivado. Investidor curioso. Ciclista todo dia. Empreendendo e aprendendo. Ensinando e ajudando quem deseja empreender. Essa é a minha vida.

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